Quase Tróia-Sagres-Tróia

2015-12-13 22.58.53

Quase porque precisava de poupar energia e ida e volta de Vila do Bispo são 18km que com o vento que estava era quase uma hora a mais no trajeto total. Quase porque chegado a Sagres seria provável aquela boleia irrecusável e lá se ia a aventura. A cabeça conta muito e às vezes não fala com o resto…

Do principio:

A ideia era fazer o Tróia-Sagres mais uma vez mas apimentado. Sentia que os 200km não traziam grande coisa para alem do facto de estar com amigos, no meio do espírito das bikes e da superação pessoal. O evento era uma boa oportunidade para enquadrar a aventura de fazer o regresso pelo mesmo caminho. Acompanhado ou não.
Fui maturando a coisa até ao dia sim ou sopas. Quase sopas porque o JV não deixa nada ao acaso e tinha toda a logística para a coisa já tratada, mas incompatível com a ida/regresso.
O plano era então dormir em Tróia para arrancar de madrugada com o grupo. Voltar e no regresso ter duche e cama “on the spot”. Autocaravana, pois claro!
“O Lino vai contigo” diz-me um dissidente que decide fazer Tróia-Salir no mesmo dia. Top!! O Lino tem habitualmente pedal para dois ou três de nós… e andava à procura de qualquer coisa também diferente e mais desafiante…ir de fixie, p.ex…
Fomos combinando as poucas coisas ao longo da semana, seriamos oito com três objetivos… sempre pela diversidade.
Acordámos à hora prevista mas mal calculada. A malta tem um problema com telemóveis, particularmente em dias importantes… e acabámos por estar a passar no ferry às 7h15 quando o grupo que vinha de Lisboa saiu às 7h00 e com pelotão. Telefonemas para toda a gente, mais uma vez, mas a rolar é difícil de ouvir pelo que decidimos arrancar também, podia ser que os apanhássemos. E assim foi… em S. Teotónio.
Passávamos na Comporta e atendi o Gregório que estava a sair de Tróia…
Os outros já estavam no Carvalhal.

Rolante e rápido, 30-35km/h. Fizemos vários km com um grupo de uns 10 elementos. Passávamos pela frente também mas pouco, dois deles tinham a coisa controlada. Encontram-se amigos, conhecidos, juntam-se ao grupo, estica… Sines, paragem. O Fonseca mamão e o resto da malta já tinham saído… iam a andar bem.

Lino a puxar muito tempo, power habitual. Controlava minimamente o ritmo cardíaco para as ~145bpm mas muito tempo neste ritmo e com alguns picos, a coisa complica-se lá para depois de Aljezur. Vento. Sempre vento de frente.
Tivemos sempre companhia, wheelsucker na maioria… Entretanto conseguimos encontrar-nos à entrada de Odeceixe. Em Aljezur o grupo já ia com mau aspeto e nós tínhamos que minimizar paragens e acelerar.
Carrapateira e a subida. Dores lombares, pescoço. Já há uns kms que não consigo acompanhar o Lino e o mamão não ajuda. Faltam 230km… impossível. Não pode ser! O que está a falhar?
Congemino planos, alguns parvos e proponho que paremos em Vila do Bispo. Podíamos esquecer a ida a Sagres e poupávamos quase uma hora… e não haveriam tentações de me meter no primeiro autocarro disponível.
Omelete com arroz, mauzinho, mas teria um ingrediente dopante certamente. Fiquei como novo apesar de me ter alimentado razoavelmente (acho) durante o percurso. “Vamos a Sagres?”. “Mais dez ou menos quinze não importa. O objetivo é voltar para Tróia.”
Arrancámos bem, com o vento a ajudar mas há muitas subidas ainda para fazer.

2015-12-14 10.15.53

Chá e bolos no Rogil.

Anoitece e ligamos as luzes de presença. Na descida para Odeceixe safou o Lino vir atrás com o seu farol rapidamente ligado… Acendi o meu e iluminei praticamente o caminho todo até Tróia.
Estava fresco mas gosto assim. Sinais de ter chovido e bem mas o impermeável continuava no bolso do meio, às costas. Depois da massa em Mil Fontes é rumar a Porto Côvo e depois a seca entre St.André e Melides. Passou num instante. À noite as distâncias são diferentes… não olhamos muito à frente, não reconhecemos as estradas claramente por isso não ambicionamos muito.
Desde que anoiteceu levava o Sigma desligado; emite muita luz e baralha a cabeça. Deixei de controlar o que quer que fosse – velocidade, pulsação, distância… e foi ótimo. Olhando agora para o regime cardíaco deveria ter sido assim a volta toda.
Parámos duas vezes desde Mil Fontes. Paragens curtas, 4-5 minutos de isolamento, silencio e estrelas. A passar Melides e até ao Carvalhal nevoeiro, foto Rapha style…
Estava bem. O joelho direito tinha passado a doer muito menos. O Lino acusava cansaço… mas continuámos a bom ritmo e a apreciar a volta.
A partir da Comporta parecia que nunca mais chegávamos e a passar o ferry a minha luz acabou. Impecável! Era 1h00.
Bikes na carroça, banho, resto do pequeno almoço e cama… até às 8h00.

Lessons learned

  1. Não minimizar a distância. Distância, horas no selim é duro e o cansaço acumula-se. A partir dai é muito rápido desanimar e deitar tudo por terra;
  2. Em longas distâncias é manter um ritmo cardíaco baixo, diria entre as 130-140bpm e evitar esforço extras.
  3. Acertei finalmente no equipamento todo, genericamente. A jersey nova é tudo o que se pode querer – refletora, verde fluor, quente, fresca, montes de bolsos, mangas realmente compridas… e linda; calças-bib mais para o quente e os sapatos cobertos com meias meia estação mas com a ventilação fechada (obrigado Lino mais uma vez). As luvas sem gel mas de dedos inteiros estiveram qb.
  4. Quanto à bike, todas as ferramentas na bolsa do selim. Levei uma bolsa no quadro com um colete refletor no caso de ter que vestir o impermeável, bomba, bateria extra e comida. No jersey, comida, impermeável, cartões, dinheiro e telemóvel. Luz forte, luz de presença e duas atrás.
  5. Andar à noite é muito tranquilo desde que se tenha o equipamento necessário e o backup deste. Não arriscar.
  6. Mesma coisa no geral… apanhar uma carga de água é mau. Pedalar à chuva equipado não.
  7. Parar a cada 45-60km. Café e manter a ingestão de HC. Foram 10.000 Cal… são muitas barras mas é melhor parar e comer comida a sério, esticar as pernas, sair da bike. Levei as clássicas peanut&gelly em pão de centeio – belas pausas!!
  8. Andar com números ou com feeling? Não sei. Gosto dos números mas os últimos 160km feitos por feeling foram os melhores. Para estas voltas, feeling.
  9. Ir com a bike afinadissima. Não há nada pior que apanhar com o mesmo ruído 10 horas seguidas… e a piorar. Nada a dizer da Ritchey Logic.
  10. Ter um plano B coerente, que normalmente tenho, mas desta vez não…
  11. Não apreciei muito no TS, talvez por quer apanhar o resto da malta, pelos grupos com que se pedala, muito concentrados em pedalar… só no regresso, por nossa conta, a atitude mudou.
  12. Motivação e stick to the plan. Afinal quando o desenhamos não é “à parva”. Uma paragem faz milagres. Desistir só com a certeza de impossibilidade de continuar.

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