TROIA > SAGRES 2013

Em primeiro lugar, devo dizer que se há 6 meses me tivessem dito que iria tentar fazer quase 200 quilómetros (no meu caso foram quase 220) num só dia, diria que era de todo impossível e que nunca o tentaria, mas de facto os tempos mudam e as vontades também.

O dia começou por volta das 6:45 da manhã, tive a sorte de me levantar a essas horas pois dormi em Tróia o que facilita muito. Sargento, Manuel e Fonseca tiveram que acordar bem mais cedo para tentarem estar às combinadas 7:30 em Tróia, claro que acabamos por sair por volta das 8:30, com atrasos, enganos e esquecimentos de telemóvel. Do nosso pertenço pelotão faziam ainda parte o Tiago Rainha e o Duarte Nuno.

Rapidamente entendemos que a “vida” em pelotão era muito mais fácil, mas para mim a vida em pelotão durou pouco, pois não deviam estar mais de 20 quilómetros percorridos e já o primeiro furo surgia, com a ajuda do sargento e do Duarte Nuno lá se resolveu o problema, mas 20 metros passados e já o pneu estava em baixo de novo, tinha um vidro que não tinha sido retirado e voltou a furar, vidro retirado câmara remendada e começa a pedalar se de novo. O Fonseca e o Manuel por esta altura já deviam ter quase meia hora de avanço em relação a nós, fico na roda do Duarte Nuno e lá começamos a ultrapassar quilometro a seguir a quilometro, primeira paragem junto do carro de assistência, carro como habitualmente conduzido pelo pai do Fonseca, e aqui fica um gigante obrigado, porque sem a ajuda dele as coisas teriam sido infinitamente mais difíceis, retirar o vestuário desnecessário e fazer o primeiro reabastecimento. O Sargento continua e fico sozinho com o Duarte, a partir daqui é que ia entender que o ciclismo, que vi desde que lembro com o meu pai, nada tem de glamour e que a única coisa que existe é sofrimento atrás de sofrimento.

Chegamos a Sines alguém nos dá uma indicação errada e acabamos por passar dentro de Sines, o que nos fez fazer mais 10 quilómetros (mais coisa menos coisa), o tempo em cima da bicicleta aumenta rapidamente mas os quilómetros avançam muito lentamente, demasiado lentamente para quem nunca tinha feito mais de 60 quilómetros em cima de uma bicicleta. Em Porto Covo voltamos a perder-nos e mais 10 quilómetros são adicionados ao conta-quilómetros. A parte entre os 60/70 quilómetros e os 130/140 foi a mentalmente mais difícil, pois parece que já fizemos um numero infinito de quilómetros e que continuamos ainda a uma distancia gigante do nosso objectivo final.

Perto da Zambujeira lá apanhamos o Manuel e o Fonseca, o Sargento continuava mais para a frente e o Rainha por esta altura já devia ter chegado, pois pelo que consta o ritmo produzido era realmente elevado. Um pouco mais à frente finalmente encontramos o Sargento que estava com uma dor no joelho e tinha parado um pouco, lá vamos os cinco estrada fora e chegamos à famigerada subida de Odeceixe, pequena paragem junto do carro de assistência na base da subida por parte de alguns de nós, eu decido não parar e resolver o problema com a maior rapidez possível, e lá chego ao final a sentir que tinha uma camisola branca com bolas vermelhas sobre o corpo, pensamento demasiado errado, pois pensei que o esforço tinha acabado por ali e agora seria um passeio até ao fim, “só” já faltavam um pouco mais de 60 quilómetros. A quando da paragem em Aljezur ainda ouvi falar de uma tal subida da Carrapateira, subida essa que parecia nunca mais chegar e as forças iam sendo cada vez menos, finalmente apareceu pela frente sem aviso prévio, não é uma subida com muita inclinação mas é longa e já com tantos quilómetros em cima do selim custou-me muito mais que a precedente de Odeceixe, por esta altura já estava mesmo cada um por si, o Duarte que vinha a conter-se desapareceu para só o ver na chegada, o Sargento também estava na frente há um bocado, para trás só mesmo o Manuel e o Fonseca, que assim que a subida terminou e apareceram as zonas de menos inclinação passaram por mim a alta velocidade, o Manuel ainda me disse algo do género “bora”, mas já não era possível ir no ritmo de alguém que não o meu. E lá fui pedalando da forma que conseguia até chegar a Vila do Bispo. Parei 2 minutos, para ganhar fôlego e dirigi-me para Sagres, quando vi a placa dos 8km só pensava, que 8km era a distancia da minha casa à expo e que era tão fácil, mas acho que foram os mais longos 8km da minha vida, mas finalmente cheguei a Sagres onde já toda a gente estava pronta para a fotografia.

Foi uma experiência incrível, e para o ano lá estarei e mais preparado, acho que é um pensamento tido também pelo Fonseca, Manuel e Sargento.

Portanto não estranhem se além das nossas voltas de btt passem a ter aqui o review de alguns eventos de licra e perna rapada (isto aplica-se apenas ao Fonseca).IMG_8937

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4 Comments Add yours

  1. Pedro Brajal diz:

    Granda artigo

    Enviado do meu iPad

    No dia 30/12/2013, às 00:09, All Mounta

  2. Duarte Nuno diz:

    Eu já tinha ido o ano passado e gostei este ano com companhia do Greg foi melhor (mesmo sendo um ritmo mais baixo).
    P.S. Fonseca, fazes mais barulho que os carros.

    1. Miguel Fonseca diz:

      so agora vi esta boca foleira… tssk tssk …

  3. Também fiz o TS de 2013 e gostei de ler o artigo. “Ride on”.

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