Super Enduro Sauze d’Oulx

“Buy the ticket, take the ride”

Estando desterrado em Genebra, no meio da Europa, obviamente que meti na cabeça que ia espremer tudo o que aqui houvesse para experimentar de All Mountain, Enduro e DH. O SuperEnduro estava debaixo de olho, e a passagem por Sauze d’Oulx era perfeita, não só pela data, como pela distância, pouco mais de 200km.

Consegui com facilidade desencaminhar um recém conhecido, o Fábio Freitas, que conheci na Pass’Portes du Soleil, (link oficial) há cerca de um mês, debaixo de uma chuva diluviana. Grande onda este man🙂. Não sabiamos bem ao que íamos, mas isso fazia parte dos planos. E partilhar os trilhos com a nata da nata, numa competição de topo. Hard to miss…

Saída de Genebra, Sexta-Feira.

Ao que interessa. A organização, apesar de ser brutal, tem uns pontos a limar, Foi um pincel para entregar os atestados, e o formato da competição é um tratado para um recém chegado. Andámos uns tempos aos papéis.

A primeira sensação foi um bocado amarga, porque o Sábado acordou com chuva. Esteve assim até meio da manhã. Nós, para além de maçaricos (vá…eu) não conheciamos nada dos trilhos. Zero. Ao contrário de muita malta, que lá esteve a sexta-feira a passar aquilo a pente fino. É a vidding. Acabou por não ser tão mau porque não só já não chovia quando partimos, como não havia praticamente nenhuma secção rochosa, apenas raízes.

A prova em si foi durissima. À partida nem tinhamos bem essa noção, porque ao contrário do que é regra, a maior parte das ligações eram feitas por meios mecânicos. Apenas tinhamos de trepar a seguir às especiais 2 e 4, num total de aproximadamente 1000m de acumulado. Erro. Essa era a parte mais fácil. Podia-se fazer na calma, porque o tempo que eles tinham previsto era suficiente, e ainda dava para descansar uns 15 minutos lá em cima. O duro eram as descidas… Believe it or not. No total, o primeiro classificado fez mais de uma hora de especiais, o que, segundo quem sabe é inédito.

As especiais, bem… que show! No geral, trilhos super fluídos, muito bem sinalizados e mantidos. Tinham um nível de dificuldade relativamente acessível, com alguns spots bem puxados. Nunca tive de me apear por causa disso, o que atesta que era exequível. A maior dificuldade, para todos mas especialmente para mim, era o nível físico que exigiam. Para mim porque não faço ideia do que é competição, e fui para lá com a forma física de um campeão de xadrez. Por outro lado também fui um nabo a (não) afinar a bike como devia, e fartei-me de levar pancada da suspensão da frente que nunca esteve como devia. Para além disto as especiais eram enormes.  Gigantes. A primeira metade era uma curtição, a segunda metade era oração.

É claramente um spot a repetir, em ritmo de não competição. Fica aqui um mapa com o plano do fim de semana, e uma breve descrição dos trilhos.

Mapa das Especiais

SATURDAY Start 9.30
– STAGE 1–> Start from PADDOCK
– Lift from JOUVENCEAUX to ROCCE NERE
– STAGE 2 –> Start from ROCCE NERE
– Pedal from SPORTINIA to ROCCE NERE
– STAGE 3 –> Start from ROCCE NERE
– Lift from JOUVENCEAUX to ROCCE NERE
– STAGE 4 –> Start from ROCCE NERE
– Pedal from SPORTINIA to ROCCE NERE
– STAGE 5 –> Start from ROCCE NERE
– Lift from JOUVENCEAUX to SPORTINIA
– STAGE 6 –> Start from SPORTINIA

SUNDAY Start 8:30
– Start from PADDOCK
– Lift from JOUVENCEAUX to ROCCE NERE
– STAGE 7 –> Start from ROCCE NERE
– Pedal from SPORTINIA to ROCCE NERE
– STAGE 8 –> Start from ROCCE NERE
SPECIAL EMTN
– EMTN + SUPERMOUNTAIN –> Lift from JOUVENCEAUX to ROCCE NERE
– EMTN Start 14:00 + SUPERMOUNTAIN Start 14:05

Infelizmente a organização não deixou usar a Gopro, para vos mostrar as especiais. Assim que subi para o palco da partida mandaram-me tira-la do capacete. Pena. Assim vou ter de roubar umas fotos deles para ilustrar esta aventura. Também não ficam mal servidos.🙂

A primeira especial, “JOUVENCEAUX”, era mesmo apenas um prólogo. Não era mais do que uma ligação cronometrada que servia de aquecimento. Deu para fazer todos os erros estúpidos dos primeiros metros de pedal a frio e soltar os nervos. Não tinha grande interesse (era a única). Terreno muito solto, sempre entre fitas, muito off-camber, muito aberta, mas nem por isso rápida.

Vista Geral do Paddock

A seguir a um teleférico , ” THE GOAT”.  Muito técnica. Apesar de já ter feito este género de trilhos noutros bike parks esta tinha de facto secções mesmo muito verticais. Um erro na linha e era garantido um drop a pique, que embora se fizesse cortava imediatamente qualquer réstia de flow que levasse. Mas como não era muito longa, dava para chegar ao fim com a feliz sensação de ter superado aquilo a fundo. A maior parte era feita na parte mais árida da estância, por não chegar a uma altitude tão baixa. O melhor estava para vir. E o pior também.

A próxima da lista foi a SuperSauze. Que sonho. No meu caso a única limitação foi ter feito a ritmo de competição. Foi a meio desta que comecei a rezar pelo fim. Anywayss, muito, muito bom. Fazia lembrar um pouco da Mega. Começavamos muito alto, e faziamos a montanha toda até Sauze d’Oulx. O princípio, como em todas, mais rochoso, mas rapidamente entravamos na floresta e era uma orgia de single tracks, rápidos, com algumas partes mais técnicas, com raízes e  curvas fechadas, mas quase nunca sem perder o flow. Foi uma pena não a fazer já conhecendo o trilho. Perde-se imenso por isso. Para além disto, no meu caso, a meio já não aguentava o ritmo a que me lancei, principalmente por falta de forma.

A minha última, foi a LLL, Long Left Line. E que longa. Foi aqui que morri. No geral não era muito diferente da anterior, mas num nível bastante mais puxado. Mais uma vez, principalmente a nível físico mas também técnico. Apesar de também ter muito flow, achei que tinha secções mais puxadas, zonas mais verticais, mais spots com saltos, etc… Nada que não se fizesse, mas depois de 15 minutos naquele ritmo, já não conseguia ver nada à frente. A certa altura, já prestes a viver a experiência do túnel, toquei com o pedal algures e fui ao tapete. Quando me tentei levantar, não consegui, tais as caimbras nas pernas. Pum, fim. O meu corpo parou para isto. Fiquei ali 5 minutos de cócoras a arfar até que me consegui deixar deslizar até à meta.

Dois dias depois, e já sem andar como se tivesse sido sodomizado por 3 babuínos africanos, já dá para rir, tirar as devidas lições e pensar na próxima. Mas fica guardada a imagem da maior tareia que a bike me deu. Ao pé disto as subidas foram pêra doce. Apesar de terem sido com capacete integral. Chegou-nos ao ouvido a fama de não ser preciso subir tanto como noutra provas, portanto facilitei e não levei também o capacete aberto. Começamos a subir de cabeça ao léu, mas ao fim de 10 minutos, fomos controlados a meio do trilho e tivemos de por os capacetes. Esta gente não brinca. Queres tirar o capacete? sai da bike! Fair enough.

Para além das especias, há muita coisa que contribui para um fim de semana inesquecível. A primeira é a organização. É impressionante como esta gente consegue manter esta máquina gigantesca a funcionar quase sem falhas a um ritmo impressionante. Havia frequentemente três especiais a andar em simultâneo. Chegavamos a partir ombro a ombro para duas especiais diferentes (“The Goat” & “LLL”).

Autocolantes com os tempos de saída das especiais. Para a próxima levo  um relógio

Muito bom era também pairar no ar o espírito latino com que os Italianos nos sabem brindar. Sempre boa disposição, sempre alegres e disponíveis. Para além disso Sauze d’Oulx é lindo. E tinha muito mais moviemento para além das bikes do que eu esperaria. Pizzas, pastas, Vino Rosso, Música e Gargalhadas. Em Italiano, Francês, Inglês, Espanhol ou Português. No meio desta festança, cruzamo-nos com o Fidalgo, o Afonso e o Bruno, que representaram a Pátria na taça das nações. Grande ambiente. Um último obrigado ao Fábio, que me acompanhou nesta ideia meio janada, e parabéns por cima disso. Ele sim, terminou a prova.

Cheers, my friend

Duas notas finais, rápidas. Uma para o vídeo e fotos do fim de semana. Fotos aqui, e vídeo onboard em baixo, da mass start de Domingo, da etapa Supermountain (só para alguns). Passam por alguns dos trilhos que nós fizemos. Dá para ter um noção fidedigna do que se fez por lá. Basta imaginar a metade da velocidade.

Sauze Supermountain onboard with Davide Sottocornola from Superenduro TV on Vimeo.

Last but not least, quando consigo convencer esta malta a vir experimentar uma maluqueira destas? Espero bem que tenham ficado com vontade. Fica aqui uma sugestão para o regresso de férias.

SUPERMOUNTAIN 2 – 16 Settembre – Pila (AO), Itália

3 Comments Add yours

  1. pbrajal diz:

    Bom artigo Eloy, mas a inveja é uma coisa mto feia…

  2. Vera diz:

    Granda pinta! Tu não tens forma física para isto? Quem tem? Que fazer para ter? FOGOOOOOOOO!!!! És um dos meus heróis. E escreves bem comó raio! Bjs!

  3. Andas a ficar é habituado e bikes de DH eheh

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